segunda-feira, 1 de outubro de 2012

PORQUE O VATICANO INSISTE EM MANTER O CELIBATO DOS PADRES


por Lygia Cabus

Exercer a alta magia
é fazer concorrência ao sacerdócio católico,
é ser um padre dissidente (Eliphas Levi)

Por incrível que possa parecer, a Igreja Católica Apostólica Vaticana (há muito não é Romana) é a primeira herdeira e sucessora do sacerdócio da Alta Magia que foi praticada da durante milênios na Antiguidade.

 ...nos símbolos evangélicos, vemos o Verbo encarnado ser, na sua infância, adorado por três magos...

A Igreja ignora a magia  porque porque deve ignorá-la ou perecer... ela nem ao menos reconhece que seu misterioso fundador foi saudado no seu berço por três magos, isto é, pelos embaixadores hierárquicos de três partes do mundo conhecido e dos três mundos analógicos da filosofia oculta.
(LEVI, 1993 - p 51/52)

Os antigos chamavam a magia de sanctum regnum, o santo reino ou Reino de Deus. A magia é feita para os reis (do reino de Deus) e padres.  O sacerdócio da magia não é um sacerdócio vulgar e sua realeza nada tem... com os príncipes deste mundo.

Os reis da ciência são os padres da Verdade e seu Reino  fica oculto para a multidão, como seus sacrifícios e suas preces. Os reis da ciência (conhecimento) são os homens que conhecem a Verdade e que a Verdade tornou livres, conforme a promessa formal do mais poderoso dos Iniciadores (Refere-se a Jesus que disse: Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará).
(LEVI, 1993 - p 72)



Hoje, um dos pontos mais controversos da disciplina imposta aos padres dessa Igreja é a insistência dos Papas em manter o princípio do celibato obrigatório para os padres. Por causa disso, O Vaticano tem sido acusado de ser pregar uma religião anacrônica, retrógrada.

Porém, o fundamento verdadeiro deste princípio, do celibato, torna obrigatório que os Papas o mantenham, ainda que sejam incompreendidos e ainda que isso tenha provocado descontentamento entre os próprios padres e evasão de fiéis.

Abrir mão da obrigatoriedade do celibato seria fazer uma concessão unicamente por motivo político, para agradar a opinião pública, para manter os fiéis sendo infiel a princípios cuja observância é indispensável ao exercício do sacerdócio (uma codicion sine qua non).

Os que combatem e desdenham dessa prática, os críticos dos Papas contemporâneos e pós-modernos, desconhecem os fundamentos que tornam obrigatório o celibato  ̶  castidade, abstinência sexual. A alternativa de explicar tais fundamentos seria uma providência inútil.

O assunto, de fato, é complexo e envolve aquilo que se chama de mistérios ou conhecimento esotérico, destinado somente aos Iniciados. Não se trata de monopolizar o conhecimento mas tentar divulgar essa Ciência seria algo como querer que o público comum entendesse facilmente os princípios da Física quântica, por exemplo.

Além disso, expor esse assunto em minúcias obrigaria a religião católica a assumir sua relação direta com as práticas da Alta Magia, que são técnicas da esfera da ciência noética conhecidas desde a Antiguidade. Uma revelação que poderia ter conseqüências mais desastrosas   ̶  ainda  ̶  que a insistência em manter o dogma do celibato.

Conseqüências tais como endossar as práticas de alta magia produzindo um interesse nestas práticas muito maior do que o que já se verifica com acrescimento das religiões da Nova Era que vêm  ressuscitando o antigo paganismo exotérico, popular, como opção religiosa.

Porém, esse interesse tem produzido unicamente um conhecimento superficial, obtido em livros simplistas, em workshops de uma semana que, absolutamente, não formam verdadeiros magos-sacerdotes; mas charlatães de todo tipo.

Todavia, aquilo que o Vaticano não faz porque é, realmente, um esforço praticamente destinado à total e errônea compreensão será feito neste ensaio mesmo que o entendimento do que está escrito dificilmente alcance plenamente o entendimento de muitos leitores, especialmente aqueles que somente entendem aquilo que gostariam de ouvir; que preferem a mentira agradável, leniente, à verdade dura.

Porém, se as pessoas se acham no direito de criticar o sucessor do Cajado de Pedro não deveria ser por causa desta questão. Neste ponto, os Papas têm sido absolutamente corretos à doutrina que fundamenta a formação de seus sacerdotes.

Nesta introdução, cabe ainda advertir que acusações contra a conduta dos padres e Papas ao longo da Historia não servem como argumento para invalidar a necessidade do celibato. A corrupção de alguns não muda os fatos. Os sacerdotes e papas católicos que foram ou são, eventualmente corruptos são lamentáveis casos de pessoas erradas em lugares errados. E mais nada.


PODERES MÁGICOS & CELIBATO

Atualmente, existe uma multidão de exotéricos (com "x", ou seja, exotéricos de superfície, da boca para fora, ex-teriormente  ̶  amadores, que conhecem magia popular e superficial dos almanaques e Grimórios) que buscam avidamente possuir poderes que, acreditam, serem mágicos.

Mas esses "poderes" são apenas o exercício de faculdades humanas normais, naturais mas, cujo desenvolvimento depende, sem alternativas, de uma prática rígida de disciplinas cotidianas às quais, a verdade é que poucos querem submeter-se ou sequer conseguiriam manter como rotineiras em suas vidas.

Entre essas práticas está o celibato, considerada uma das mais difíceis de obedecer. Tão difícil que ocultistas como Papus (autor do Tratado Elementar da de Magia Prática) recomendam que esta prática somente seja adotada na disciplina de formação dos Iniciados depois dos 40 anos.

Papus explica que a virgindade não indispensável, mas o celibato sim, quando se trata de exercer poderes mágicos mais avançados. Entre estes, a capacidade de curar e até ressuscitar pessoas vitimadas por morte recente e cujos corpos tenham mantido funcionalidade orgânica suficiente para retornarem à vida sem seqüelas.




Papus não está sozinho, outros ocultistas confiáveis, no Ocidente, como Eliphas Levi ou mesmo, a controversa Helena Petrovna Blavatsky defendem a mesma idéia. Eis algumas das instruções de Eliphas Levi em Dogma e Ritual da Alta Magia, o livro que tornou-se obrigatório para a formação dos magos ocidentais:

As operações mágicas são o exercício de um poder natural, mas superior às forças ordinárias da Natureza. ...Para fazer milagres (ou, o natural extraordinário) é preciso estar fora das condições comuns da humanidade...

O magista deve, pois, ser impassível, sóbrio e casto, desinteressado, impenetrável e inacessível a toda espécie de preconceitos ou terror... A primeira e mais importante das obras mágicas é chegar a esta rara condição. (LEVI, 1993 - p 239, 240)

E, no Tratado Elementar de Magia Prática, Papus ensina:

Uma castidade absoluta só é exigida do experimentador durante os quarenta dias que precedem a obra mágica. (PAPUS, 1995 - p 172)


Ora, observe-se que os padres realizam  "obra mágica" TODOS OS DIAS, quando rezam a missa ministrando bênçãos, ouvindo confissões e pacificando a mente culpada pela remissão dos pecados ̶ ou seja, pela aceitação do erro e consciência do dever de corrigi-los ou compensá-los sempre que possível.

Ao fazer tais coisas, os padres estão realizando, diariamente, uma "magia" que se chamareligare, origem da palavra religião e que significa re-conectar os homens com a Inteligência Divina que os criou.

Porém, Papus reconhece a dificuldade de manter a castidade. Eis porque ser um padre exige uma vocação absolutamente determinada. Manter a castidade desde a juventude, desde a adolescência, pode ser absolutamente impossível para a maioria das pessoas especialmente nos dias atuais.

Papus refere-se à capacidade de manter-se casto como um poder da Vontade e um entendimento de si mesmo que requer longos anos de progressivo treinamento e assinala:

...É preciso toda a ignorância de um teólogo ou de um teósofo para impor, terminantemente, uma castidade absoluta aos jovens recém iniciados que ignoram tudo na vida. ...Os maiores dentre os fundadores de ordens religiosas eram, ao contrário, velhos militares ou pessoas já cansadas do mundo e de seus prazeres e só na velhice é que o indivíduo pode tomar firmes decisões a respeito [de se manter casto]... (PAPUS, 1995 - p 203)


Esse ensinamento, que desaconselha o celibato para os jovens, evidentemente, aplica-se ao Iniciados em Magia Cerimonial. Porém, não se pode proibir um jovem que deseja seguir o sacerdócio católico de ingressar em um seminário sentenciando que para ele ou ela, somente por causa da juventude, manter a castidade antes da ordenação, como padre ou freira, será impossível unicamente por causa da idade.

Nem todos os jovens sentem de forma tão irresistível quanto se pensa os apelos dos instintos sexuais e os apelos dos costumes social, culturais. Muitos conseguem renunciar ao sexo com facilidade e esses podem, efetivamente dedicar-se ao sacerdócio, antes dos 40 ou 50 anos sem que o celibato constitua problema.

Nem todos os fundadores ou sacerdotes de tempos mais recuados, como a Idade Média, por exemplo, começaram sua vida monástica em avançada idade. Francisco de Assis, o São Francisco é um exemplo bem conhecido de um jovem que, tendo conhecido a vida mundana, o sexo, as festas, a guerra, em dado momento sentiu ou recebeu o que muitos sacerdotes definem com "o chamado".

O chamado é um sentimento de vocação para a vida religiosa. Uma vocação irresistível motivada por um intenso sentimento de amor e misericórdia, solidariedade para com todos os seres humanos. Um sentimento que somente pode pode ser colocado em prática por meio do sacerdócio porque requer uma dedicação absoluta àqueles a quem Jesus chamou de "o próximo".

Além disso, se um sacerdote percebe que não consegue manter a castidade em função de alguma paixão romântica-sensual, nada impede que renuncie a seus votos, deixe a Igreja e assuma uma existência mundana, para as coisas do mundo material, carnal.

Porém, um ex-padre católico correto não pode pretender manter suas faculdades (ou poderes) extraordinários noéticos, (espirituais) depois de renunciar às práticas que são indispensáveis à manutenção de tais poderes.

Isso seria como um atleta que pretende ganhar medalhas abandonando a disciplinados treinamentos. O quê esse atleta, vai é conseguir uma contusão, o rompimento de um tendão; esse ex-padre, vai lesionar os outros além de a si mesmo.

A NECESSIDADE DA PUREZA

A pureza que se exige do sacerdote diz respeito à qualidade da energia mental que é utilizada nas atividades sacerdotais. Não se trata de uma questão primordialmente moral. Antes, é bioquímica, biofísica e metafísica.

(Imagine-se, então, que o Papa vá para sua sacada explicar essas coisas à multidão; ou escrever um bula, uma epístola esclarecendo isso. Não seria uma epístola, seria um ensaio acadêmico, um livro! Que poucos teriam capacidade de ler até o fim quanto mais entender. Não é à toa que os padres são preparados por longos anos em seminários.)

A ENERGIA SEXUAL

No Oriente, uma corrente de disciplina ioga muito reservada, a Tântrica, também trabalha com energias sexuais, que também são chamadas geradoras e re-generadoras para obter a realização de fenômenos que, em geral, são considerados sobrenaturais.

É um fato bastante conhecido que os iogues do Tantra Branco disciplinam-se para controlar a reação bioquímica chamada orgasmo de modo a reverter a energia gerada por este fenômeno para acumuladores energéticos internos, situados dentro do corpo do iogue. Alguns chamam esse processo de sublimação.

Essa energia pode ser manipulada, sendo imediatamente irradiada para a obtenção de um efeito específico ou reservada para utilização em operações chamadas mágicas mas que seriam mais apropriadamente definidas como metafísicas.

Operações que envolvem, justamente, o potencial original da energia sexual: primeiro, para gerar eventos e, ainda, para regenerar ou recuperar danos orgânicos reversíveis causados por traumas ou doenças.


A RELAÇÃO ENTRE O SEXUAL, O ASTRAL & O MENTAL

As relações sexuais são prejudiciais ao sacerdócio justamente porque corrompem a qualidade desta energia, enfraquecem-na. Isso ocorre porque a relação sexual está longe de ser um mero contato físico e de secreções.

A grosseira máxima popular segundo a qual lavou tá novo não corresponde à realidade sequer no plano superficial da saúde orgânica porque as doenças venéreas, em geral, por exemplo, não são evitadas com  água e sabão.

Nem desaparecem depois do banho a desilusão,  a lesão psicológica, tristeza, ansiedade  ̶  esta última  ̶  uma enfermidade da almacomo definiu Santo Agostinho, que afeta muitas pessoas, todos os dias, que são ignoradas pelo parceiro ou parceira 24 depois de ter a relação. Meditemos...


A intimidade sexual propicia, inevitavelmente, um intercurso de energias e, na maioria esmagadora dos eventos, este contato com outra pessoa enfraquece/ou corrompe, contamina, compromete a pureza energética, esse extraordinário poder que somente pode ser obtido por meio do controle de qualidade da energia sexual que, em um plano superior é uma energia de criação e recuperação.

(No plano inferior, carnal, a utilização da energia sexual resulta unicamente em bebês que, nos dias correntes, são freqüentemente tratados como: um evento indesejado;  objetos de negociação nos interesses dos pais, reféns, trunfos jurídicos, pelos quais um dos genitores deverá pagar um preço cujo valor é avidamente cobiçado pela parte chantagista que deseja unicamente uma fonte de renda para custear seus objetos de desejo, estorvos à liberdade individual ou mesmo, lixo! Isso é um fato lamentável. Mas está estampado em manchetes de jornais.)

A energia sexual pode ser corrompida até mesmo por pensamentos. Por isso, os praticantes da Alta Magia e também do sacerdócio Cristão da Igreja do Vaticano ou de qualquer Igreja séria, que respeite suas funções religiosas, (que consistem em servir de agente intermediário entre o humano e o divino)  ̶  todos os sacerdotes têm de  ̶  ou deveriam  ̶  observar com rigor a prática do celibato bem como o controle da própria mente.

A benção de um padre não é um gesto maquinal; não é um afago na cabeça da ovelha. As bênçãos são atos mágicos, são transmissão de energia. A benção somente é eficaz se a energia irradiada por este padre for plenamente benéfica, positiva e suficientemente forte e pura para produzir os efeitos dos quais necessitam os fiéis.

As pessoas que recebem uma benção com leviandade  ̶  sem fé (significando não acreditando ou desconsiderando)   ̶  sem nenhuma consciência, nem na esfera emocional, daquilo que a benção realmente, essas pessoas agem como se estivem jogando fora combustível, alimento ou remédio. A benção assim recebida não faz efeito.

Efeitos que, geralmente, como eventos, estão situados no patamar daquilo que as pessoas entendem como sendo milagres. Desde a cura de doenças até o alcance da paz psicológica e/ou espiritual. Eis porquê o Cristo, Jesus (nome que significa Deus Salva)  ̶  depois da realização de uma cura, sempre enfatizava: Tua fé te salvou.


DEDICAÇÃO

A dedicação que o sacerdócio exige é, portanto, absoluta. É um princípio da ética dessa atividade. Quando se fala em dedicação absoluta significa que na vida de um padre não existe lugar para preocupações mundanas inevitáveis quando se mantém um relacionamento íntimo de natureza sexual e/ou afetiva. Seja informal, casual ou formal, tal como o o casamento ou a convivência estável comum parceiro ou parceira, com ou sem a responsabilidade da criação e educação de filhos.

Eliphas Levi diz que a mulher ou homem, na vida de um Ocultista, será, mais cedo ou mais tarde, um rival da Magia.Em algum momento, esse companheiro, amante, marido ou mulher vai de cobrar uma atenção que o Mago precisa direcionar unicamente para as práticas e disciplinas das Ciências Ocultas. O mesmo se aplica à situação dos padres católicos.

Uma pesquisa recente (junho de 2012) com pastores das Igrejas Evangélicas, hoje em ascensão no Brasil e em outros países, apontadas como principais receptoras de ex-católicos que abandonam o Catolicismo em busca de um relaxamento das disciplinas pessoais, mesmo para os leigos, resultados materiais rápidos e milagres de todo o tipo, essa pesquisa, realizadas nos Estados Unidos pelos Institutos Fuller, George Barna e Pastoral Care, revelou que esses homens e mulheres que pretendem assumir o papel de sacerdotes, em altas porcentagens ... abandonam ministério por causa de dificuldades e efeitos colaterais...  Eis a reprodução de parte da reportagem publicada no site de notícias evangélico Gospel Mais:

De acordo com informações do site The Christian Post... 45,5% dos pastores afirmaram estarem deprimidos. Há relatos de ministros que viveram desgastes em suas vidas pessoais, como o pastor presbiteriano José Nilton Lima Fernandes, que chegou a duvidar de seu chamado e enfrentou um divórcio.

O pastor licenciou-se de seu cargo e após casar novamente, voltou a pastorear uma igreja, porém não descarta outra pausa em seu ministério, caso as circunstâncias o obriguem: Acho possível servir a Jesus, independentemente de ser pastor ou não, afirmou à revistaCristianismo Hoje.

As mesmas pesquisas apontaram também que 85% dos pastores entrevistados demonstraram fadiga por lidar com os problemas de terceiros, e 70% disseram sofrerem de baixa autoestima.

O diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo, Lourenço Stélio Rega afirmou que aproximadamente 50% dos alunos que se matriculam no curso de teologia da instituição que ele representa desistem antes do final do curso. O diretor ressalta ainda que os desistentes compreendem que a dificuldade faz parte do ministério, e assim, abandonam a carreira.

No mesmo site outras reportagens abordam o tema da dificuldade de se exercer as funções de um padre em simultâneo com as obrigações e atividades outras da vida  mundana:

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